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Apesar do empate eu tenho esperanças…

03/03/2011

Depois do empate do Santos em 1×1 contra o Cerro Porteño, em uma Vila Belmiro um pouco esvaziada devido ao preço salgado do ingresso, tive a certeza de que o Santos acertou em ter rescindido com Adilson Batista.

O que vimos em campo foi um Santos com vontade de vencer. Não havia bola perdida para os jogadores. Entretanto, na primeira partida após a saída de Adilson Batista é evidente, pelo posicionamento dos jogadores em campo, que seu legado não é dos melhores.

Qualquer Zé Mané que entende um pouco de futebol pôde verificar que o time do Santos estava sendo mal treinado. Apesar de uma melhora significativa no volume ofensivo, ainda temos os mesmos problemas – falta de aproximação dos volantes com os meias e desentrosamento no sistema de marcação, com os atletas não sabendo se dão o bote no adversário ou se ficam na sobra. Reparem bem no lance do pênalti cometido por Edu Dracena – o zagueiro derruba o adversário na área por ser obrigado a sair de sua posição e dar um bote onde deveria haver a cobertura de um volante. Mas nem tudo está perdido.

Apesar do gosto amargo, já que o time deixou a vitória escapar no finalzinho do jogo, vejo com bons olhos a atuação de ontem. Antes de tudo, quero deixar claro que não enlouqueci e que em nada me agradou o jogo contra o Cerro. Mas temos que pensar com frieza neste momento.

Não é do dia para a noite que um apanhado de jogadores, por melhores que sejam, se transformam em um time entrosado e arrumado. Isto se faz com muito treinamento e dedicação. Como mencionei acima, o técnico recém demitido não conseguiu fazer com que este elenco se transformasse em um time de futebol. O que foi apresentado pelo Santos na Vila Belmiro está longe de ser o ideal, mas mostra claramente que este time pode e deve evoluir bastante.

Não vamos apedrejar Edu Dracena pelo pênalti cometido. Lembremos que Zé Eduardo, Jonathan e Neymar, no momento de colocar a bola pra dentro do gol, foram dignos de receber o famoso “Troféu Mustela” – prêmio oferecido pelo Fantástico, nas noites domingueiras, aos jogadores que dão aquela furada bonita no momento de finalizar um chute. Seriam três gols que, fossem marcados, fariam com que a crítica aplaudisse de pé a bela atuação do time da Vila Belmiro no segundo tempo. Pois se a permanência de um técnico depende de resultados, o discurso da crítica que se auto postula como especializada também se baseia neste fator.

Ao contrário do meu amigo Pandão, que ficou bem desanimado após a partida, e de meu amigo Anderson, que parece estar puto, e com razão, eu tenho esperanças. É óbvio que dormi de cabeça quente após o empate. Mas pude notar que o trabalho de fazer com que esse elenco jogue bola não é tarefa das mais complicadas. Bastou algumas modificações de Marcelo Martelotte para uma melhora no rendimento da equipe.

Por exemplo – com Adilson Batista, Neymar jogava centralizado, muitas vezes de costas para o gol adversário. Martelotte colocou o Menino onde ele sabe jogar, aberto pela esquerda. Adilson fazia com que Elano atuasse na meia, caindo pela esquerda. Bastou mudar o lado do campo para Elano fazer o que sabe. Diogo jogava como atacante sob comando do Professor Pardal. Fazendo-o atuar pela meia, com Neymar de um lado e Elano do outro, Martelotte fez com que a armação das jogadas fosse distribuída pelos dois lados do gramado, aumentando as possibilidades e as alternativas na criação das jogadas. Adilson não foi capaz de entender que meias razoáveis precisam de um companheiro de criação. Somente um Paulo Henrique Ganso é capaz de dar de dominar este setor sem companhia.

Podemos até questionar algumas alterações feitas pelo interino durante a partida. No entanto, não houve invenções em suas aplicações táticas. A grande diferença é que Adilson não sabia encaixar as peças corretas neste quebra-cabeça. Martelotte soube aproveitar melhor as características de seus comandados e deu um desenho mais ofensivo ao time do Santos.

O momento, caros alvinegros, é de apoio absoluto ao time e a quem quer que venha comandá-lo, pois temos de onde tirar qualidade. Basta que o próximo treinador tenha em mente as palavras que Dorival Júnior seguiu à risca e que um sábio padeiro estampou na frente de seu estabelecimento:

MUITO FAZ QUEM NÃO ESTORVA!

 

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